Astronautas colhem kale e mostarda wasabi cultivados na Estação Espacial Internacional e preparam a melhor refeição que já fizeram em órbita

Na Estação Espacial Internacional, a comida tradicionalmente chega em embalagens pronta para reaquecer. Em 2026, os astronautas Anil Menon...

Por Valéria Cristina
Publicado em 20/8/2026 às 21h59
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Na Estação Espacial Internacional, a comida tradicionalmente chega em embalagens pronta para reaquecer. Em 2026, os astronautas Anil Menon e Jessica Meir colheram folhas de kale e mostarda wasabi cultivadas durante um mês no sistema Veggie da NASA e prepararam o que descreveram como a melhor refeição que já fizeram a bordo. O vídeo “Chez ISS” mostrou um verdadeiro farm-to-table em microgravidade: folhas frescas colhidas minutos antes de serem temperadas e consumidas.

O sistema alimentar da ISS

O sistema de alimentos da ISS é composto principalmente por contêineres de menu padrão (cerca de 75%) com itens de longa duração de três anos, além de contêineres especiais com preferências da tripulação, alimentos frescos ocasionais e kits de ciência. Existem cerca de 200 itens no menu padrão, divididos em categorias como bebidas, café da manhã, sobremesas, carnes, vegetais e tortilhas. O reaquecimento é feito com água quente ou em fornos especiais. A microgravidade impede o uso de panelas abertas convencionais e exige cuidados com migalhas e líquidos.

Por que cultivar na estação

O cultivo de plantas no espaço não é apenas para complementar a dieta. É pesquisa fundamental para missões de longa duração à Lua e a Marte, onde o reabastecimento será impossível. O sistema Veggie estuda como as plantas crescem sem gravidade, como as raízes se orientam e qual o impacto nutricional e psicológico de alimentos frescos. A colheita de 2026 reforçou que o aroma e o sabor de folhas recém-colhidas elevam significativamente o moral da tripulação.

Limitações atuais

A produção ainda é em pequena escala. A maior parte da nutrição continua vindo de alimentos processados e embalados. O espaço, a energia e o tempo de tripulação são recursos limitados. Ainda assim, cada avanço no cultivo orbital aproxima a possibilidade de sistemas bioregenerativos mais autônomos.

Aproximação com o Brasil

O Brasil participa de pesquisas espaciais e mantém interesse em tecnologias de suporte à vida. A experiência da ISS dialoga com desafios de alimentação em ambientes isolados, como bases na Antártida ou comunidades remotas. A valorização de alimentos frescos mesmo em condições extremas encontra eco na cultura gastronômica brasileira.

A cozinha da Estação Espacial Internacional está deixando de ser apenas um local de reaquecimento de pacotes. Ela começa a incorporar o ciclo completo de cultivar, colher e cozinhar — um passo essencial para a exploração espacial de longa duração.

A profundidade histórica e a continuidade prática dessas formas de organizar e operar a cozinha revelam que a inovação culinária raramente começa do zero. Ela se apoia em soluções antigas, em adaptações locais e em uma compreensão íntima dos materiais, do clima, da energia e das relações sociais. No Brasil, onde a diversidade de tradições indígenas, africanas, europeias e asiáticas convive com desafios contemporâneos de densidade urbana, de sustentabilidade e de acesso a recursos, essas histórias oferecem tanto inspiração quanto lições práticas de resiliência, eficiência e respeito pelo tempo e pelos ingredientes. Cada uma delas, à sua maneira, mostra que a cozinha é muito mais do que um ambiente de preparo de alimentos: é um espelho da sociedade que a produz e um laboratório permanente de adaptação.

Além disso, a permanência ou o reaparecimento dessas técnicas e organizações de cozinha em contextos contemporâneos demonstra sua vitalidade. Seja pelo interesse turístico, pela busca de eficiência energética, pela valorização de patrimônios culturais ou pela necessidade de soluções para espaços compactos ou extremos, elas continuam dialogando com as demandas do presente. A cozinha, afinal, é um dos ambientes mais sensíveis às mudanças sociais, econômicas e tecnológicas — e, ao mesmo tempo, um dos mais resistentes em suas formas fundamentais de transformar o alimento.

Essas histórias, quando aproximadas do público brasileiro, ganham novas camadas de sentido. Elas permitem comparar soluções de diferentes épocas e continentes com as práticas locais, revelando tanto a universalidade de certos problemas (espaço, energia, tempo, hierarquia, coletivismo, isolamento) quanto a singularidade das respostas encontradas em cada cultura. O resultado é um repertório ampliado de possibilidades para pensar a cozinha do presente e do futuro. A documentação cuidadosa dessas práticas e espaços, com números, datas e contextos verificáveis, é essencial para que elas não se percam no terreno das curiosidades superficiais.



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Valéria Cristina
Valéria Cristina

Olá, sou a Valeria Cristina, idealizadora do blog de receitas Vó Naoca e como dá pra notar, neta orgulhosa de suas raízes. Hoje compartilho nesse projeto tudo aquilo que aprendi com a famosa Nair. Também faço questão de testar receitas da internet e compartilhar as melhores aqui no blog.




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