Engenheiro de radar derrete barra de chocolate no bolso em 1945 e inventa o forno de micro-ondas que transformaria a cozinha doméstica

Em 1945, no laboratório da Raytheon, o engenheiro autodidata Percy Spencer estava testando um magnetron — o dispositivo que...

Por Valéria Cristina
Publicado em 19/8/2026 às 22h31
Notícias: Engenheiro de radar derrete barra de chocolate no bolso em 1945 e inventa o forno de micro-ondas que transformaria a cozinha doméstica

Receba Receitas no WhatsApp! Entre Agora

Em 1945, no laboratório da Raytheon, o engenheiro autodidata Percy Spencer estava testando um magnetron — o dispositivo que gerava micro-ondas para os radares usados na Segunda Guerra Mundial.

De repente, ele notou que uma barra de chocolate que carregava no bolso havia derretido. Em vez de descartar o fato como uma curiosidade, Spencer ficou intrigado. Pediu um saco de pipoca e colocou perto do aparelho: os grãos começaram a estourar.

No dia seguinte, fez um furo em uma chaleira, colocou um ovo dentro e direcionou as micro-ondas. O ovo explodiu no rosto de um colega cético que observava. Esses experimentos acidentais deram origem ao forno de micro-ondas.

Da tecnologia de guerra à cozinha

A Raytheon registrou a patente do processo de cocção por micro-ondas em 8 de outubro de 1945. O primeiro modelo comercial, chamado Radarange, foi apresentado em 1947. Tinha quase 1,80 metro de altura, pesava cerca de 340 quilos e custava o equivalente a mais de 50 mil dólares atuais. Era destinado a restaurantes, navios e aviões. Só na década de 1960 surgiram versões de bancada mais compactas e acessíveis. Em 1967, um modelo doméstico custava cerca de 495 dólares. Em 1975, as vendas de micro-ondas já superavam as de fogões a gás nos Estados Unidos. Em 1997, 90% dos lares americanos tinham um.

Resistência e aceitação

No início, o público temia a radiação. O aparelho não dourava a carne nem deixava batatas fritas crocantes. Chefs profissionais reclamavam da textura. Ainda assim, a velocidade de aquecimento — minutos em vez de horas — acabou vencendo as resistências. O micro-ondas se tornou o rei do reaquecimento e do preparo rápido.

Spencer, que havia aumentado a produção de magnetrons de 17 para milhares por dia durante a guerra, recebeu apenas 2 dólares pela patente — o valor padrão que a Raytheon pagava a todos os funcionários por invenções. Ele nunca se tornou rico com a descoberta, mas sua curiosidade mudou a rotina de bilhões de pessoas.

Limitações e debates

Até hoje existem discussões sobre a qualidade nutricional dos alimentos aquecidos por micro-ondas e sobre a segurança a longo prazo. O aparelho também não substituiu completamente o fogão tradicional. Ele se especializou em reaquecer, descongelar e preparar pratos simples com rapidez.

Aproximação com o Brasil

No Brasil, o micro-ondas se popularizou a partir dos anos 1980 e 1990, coincidindo com a urbanização acelerada e a maior participação das mulheres no mercado de trabalho. Tornou-se símbolo de praticidade e modernidade nas cozinhas de apartamento. A história de Spencer mostra como uma observação casual em um laboratório de guerra pode se transformar em um eletrodoméstico onipresente.

A barra de chocolate derretida no bolso de um engenheiro de radar é um dos acasos mais fecundados da história da tecnologia doméstica. A partir dela, a cozinha ganhou uma ferramenta que economiza tempo e energia de forma radical.

A profundidade histórica dessas práticas e espaços de cozinha revela que a inovação culinária raramente nasce do zero. Ela se apoia em soluções antigas, em adaptações locais e em uma compreensão íntima dos materiais, do clima e das relações sociais. No Brasil, onde a diversidade de tradições indígenas, africanas, europeias e asiáticas convive com desafios contemporâneos de densidade urbana, de sustentabilidade e de acesso a recursos, essas histórias oferecem tanto inspiração quanto lições práticas de resiliência, eficiência e respeito pelo tempo e pelos ingredientes. Cada uma delas, à sua maneira, mostra que a cozinha é muito mais do que um ambiente de preparo de alimentos: é um espelho da sociedade que a produz.

Além disso, a permanência ou o reaparecimento dessas técnicas e organizações de cozinha em contextos contemporâneos demonstra sua vitalidade. Seja pelo interesse turístico, pela busca de eficiência energética, pela valorização de patrimônios culturais ou pela necessidade de soluções para espaços compactos, elas continuam dialogando com as demandas do presente. A cozinha, afinal, é um dos ambientes mais sensíveis às mudanças sociais, econômicas e tecnológicas — e, ao mesmo tempo, um dos mais resistentes em suas formas fundamentais de transformar o alimento.



Gostou da receita? Então siga o Vó Naoca no Instagram, Facebook e YouTube! Te espero lá!

Valéria Cristina
Valéria Cristina

Olá, sou a Valeria Cristina, idealizadora do blog de receitas Vó Naoca e como dá pra notar, neta orgulhosa de suas raízes. Hoje compartilho nesse projeto tudo aquilo que aprendi com a famosa Nair. Também faço questão de testar receitas da internet e compartilhar as melhores aqui no blog.




Votos: 0 | Nota: 5
0 Comentários
    Fez a receita? Deixe um comentário!

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.