Chef Fellipe Zanuto: “Asse esses vegetais no forno primeiro” antes de transformar abóbora, cenoura ou mandioquinha em creme
Cremes de legumes costumam começar com os ingredientes dentro de uma panela de água. Depois que amolecem, são batidos,...
Por Valéria CristinaPublicado em 6/8/2026 às 23h18

Cremes de legumes costumam começar com os ingredientes dentro de uma panela de água.
Depois que amolecem, são batidos, temperados e servidos. O método funciona, mas pode produzir uma preparação suave demais, especialmente quando grande parte do sabor permanece diluída no líquido.
Fellipe Zanuto propõe outra sequência no livro Segredos de Chef: “Asse esses vegetais no forno primeiro”. Segundo o chef, o calor seco acentua o sabor e pode criar uma nota tostada antes que o alimento seja transformado em creme ou purê.
A mudança parece pequena, mas altera a quantidade de água, a concentração e os aromas desenvolvidos na superfície.
O forno retira água em vez de acrescentá-la
Ao cozinhar um vegetal submerso, ele recebe calor através da água e pode absorver parte do líquido.
No forno, a superfície perde umidade. Os sabores ficam mais concentrados e algumas áreas começam a dourar.
Abóbora, cenoura, batata e mandioquinha respondem de maneiras diferentes. Vegetais ricos em açúcares naturais podem desenvolver maior sensação de doçura.
O douramento não precisa cobrir toda a peça. Algumas bordas tostadas já modificam o resultado final.
O tamanho dos pedaços controla o tempo
Pedaços muito grandes demoram a amolecer por dentro. Pedaços pequenos queimam antes de cozinhar completamente.
O ideal é cortar em dimensões semelhantes e distribuir em uma única camada.
Uma assadeira lotada prende vapor. Os vegetais liberam água, ficam amontoados e cozinham de maneira mais úmida.
Deixar espaço favorece a evaporação e o contato com a superfície quente.
Virar os pedaços durante o preparo ajuda a dourar mais de um lado.
A gordura não precisa dominar
Uma pequena quantidade de azeite ou outro óleo apropriado ajuda a envolver os ingredientes e distribuir o calor.
Excesso de gordura torna o creme pesado e pode dificultar o equilíbrio posterior.
O sal pode entrar antes do forno, mas deve ser moderado, pois a perda de água concentra o sabor.
Ervas resistentes, como alecrim e tomilho, suportam o assamento. Ervas delicadas podem ser utilizadas na finalização.
Alho assado junto aos vegetais oferece sabor mais suave do que alho cru triturado no final.
O líquido entra apenas depois
Quando os vegetais estão macios, podem ser amassados ou processados.
Caldo, água, leite ou bebida vegetal entram gradualmente até alcançar a consistência desejada.
Adicionar todo o líquido de uma vez é um erro frequente. Um purê que ficou ralo é mais difícil de corrigir do que uma base espessa.
Para servir como acompanhamento, utiliza-se menos líquido. Para sopa, aumenta-se a quantidade.
Zanuto destaca justamente essa versatilidade: a mesma base pode aparecer firme como purê ou mais fluida, servida quente ou fria.
O processador não substitui a escolha da textura
Bater por muito tempo pode deixar algumas preparações pegajosas, especialmente aquelas ricas em amido, como a batata.
Nesses casos, espremedor ou amassador produz resultado mais seguro.
Abóbora, cenoura e mandioquinha toleram melhor o liquidificador, desde que exista líquido suficiente para movimentar as lâminas.
Para um creme muito liso, pode-se passar por peneira. Para uma aparência rústica, basta amassar.
A textura escolhida deve combinar com o prato, e não com uma ideia universal de perfeição.
O tostado precisa parar antes de virar queimado
Áreas douradas produzem aromas agradáveis. Partes pretas e carbonizadas trazem amargor.
O forno doméstico pode aquecer de maneira desigual. Por isso, a assadeira deve ser observada e, se necessário, girada.
Vegetais com tempos diferentes podem entrar em etapas.
Cenoura e batata começam antes de abobrinha ou cebola fina. Misturar tudo desde o início facilita o preparo, mas pode comprometer alguns ingredientes.
A base pode organizar várias refeições
O chef informa que o creme pode permanecer até três dias na geladeira.
A preparação deve ser resfriada, armazenada em recipiente fechado e mantida sob refrigeração.
Uma porção pode acompanhar carne, peixe ou grãos. Outra pode receber caldo e virar sopa. Também pode funcionar como molho para massa ou recheio.
A técnica não aumenta apenas o sabor. Amplia o número de destinos do vegetal.
A frase “asse esses vegetais no forno primeiro” muda a ordem tradicional.
O legume não encontra água antes de revelar seu aroma. Primeiro concentra, doura e ganha personalidade. Somente depois recebe o líquido necessário para se transformar em creme.

