Chef Valdeir Fernandes: “O fubá de milho é incrível para empanar” e a crosta pode precisar de apenas um fio de azeite
Empanados são frequentemente associados a fritura profunda. A imagem é conhecida: alimento mergulhado em ovo e farinha, seguido por...
Por Valéria CristinaPublicado em 7/8/2026 às 21h54

Empanados são frequentemente associados a fritura profunda.
A imagem é conhecida: alimento mergulhado em ovo e farinha, seguido por uma panela cheia de óleo.
O chef Valdeir Fernandes oferece um caminho diferente em Segredos de Chef. Segundo ele, “o fubá de milho é incrível para empanar peixes e peito de frango”. A técnica utiliza apenas sal, pimenta e uma fina cobertura de fubá antes de dourar com pouco azeite ou assar.
O truque parece modesto, mas ajuda a desmontar uma associação automática entre crocância e grande quantidade de óleo.
Pressionar é diferente de empilhar farinha
Fernandes orienta pressionar levemente o fubá para que grude, tomando cuidado para não criar uma camada grossa.
Isso é importante porque o empanado precisa aderir à superfície.
Quando sobra farinha solta, ela cai na frigideira e pode queimar.
Uma camada fina aquece rapidamente e acompanha o formato do filé.
O resultado é mais próximo de uma crosta do que de uma massa ao redor do alimento.
O milho traz uma característica própria
Fubá não é simplesmente uma versão amarela da farinha de trigo.
A origem, granulação e composição modificam a textura.
Depois de aquecido, ele produz uma sensação ligeiramente granulada e tostada.
Essa característica combina com peixes de sabor suave, pois acrescenta contraste sem exigir uma cobertura muito pesada.
No frango, ajuda a criar uma superfície mais interessante em cortes magros como o peito.
O tempero precisa chegar antes
Sal e pimenta entram diretamente no filé.
Se todo o tempero for misturado apenas ao fubá, parte ficará na farinha que não aderiu.
Temperar a superfície garante maior contato.
Ervas secas podem ser acrescentadas, mas precisam ser usadas com atenção, pois pequenos fragmentos queimam antes do fubá em temperaturas altas.
Páprica, alho em pó e especiarias também modificam rapidamente a cor da cobertura.
A temperatura decide a crocância
Pouco óleo só funciona quando o contato térmico está adequado.
Uma frigideira fria faz o filé liberar água antes de dourar.
Uma frigideira extremamente quente queima a cobertura.
O objetivo é encontrar calor suficiente para criar cor progressivamente.
Depois que o alimento entra, é interessante não movimentá-lo o tempo todo.
A crosta precisa de alguns instantes para firmar.
O forno permite outro resultado
O próprio chef sugere levar ao forno para ganhar crocância.
Nesse caso, deixar espaço entre os filés é importante.
Quando vários pedaços ficam encostados, a umidade se acumula.
Uma grade sobre a assadeira aumenta a circulação de ar, quando disponível.
Virar na metade do preparo pode ajudar a dourar as duas faces.
O resultado não imita perfeitamente a imersão em óleo, mas essa não precisa ser a meta.
A técnica também reduz a louça
O empanamento clássico pode exigir vários recipientes: farinha, ovos e farinha de rosca.
Com o fubá, a sequência pode ser muito menor.
Tempera-se o alimento e passa-se diretamente pela farinha de milho.
Isso reduz etapas e tempo.
Para quem cozinha no dia a dia, essa simplicidade pode ser tão importante quanto a diferença na quantidade de gordura.
“Incrível para empanar” não significa que serve para tudo
Filés muito úmidos dificultam a aderência.
Peças grossas precisam de tempo suficiente para cozinhar por dentro.
Alimentos delicados exigem cuidado ao virar.
Como toda técnica, funciona melhor quando combinada ao ingrediente.
A dica de Valdeir Fernandes chama atenção não porque inventa uma farinha exótica.
É justamente o contrário.
Ela mostra que um produto familiar, normalmente associado a polenta, bolo e angu, pode entrar na frigideira com outra função.
A crocância pode estar escondida em um pacote de fubá que já estava na despensa.

